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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Encontro especial do Grupo Boa Hora | Exibição do Filme O Renascimento do Parto no Cinema São Luiz

Marcando o Dia Internacional da Qualidade à Atenção à Saúde das Mulheres, o Instituto Nômades, em parceria com o Comitê Estadual de Estudos da Mortalidade Materna de PE (CEEMM/PE), o Fórum de Mulheres de PE, o Conselho Regional de Enfermagem do Estado de PE (COREN/PE), as ONGs Loucas de Pedra Lilás, Grupo Curumim, SOS Corpo e Uiala Mukaji, e a Rede Parto do Princípio, promoverá um encontro especial do Grupo Boa Hora no Cinema São Luiz, onde as entidades mencionadas estão promovendo a exibição do filme O Renascimento do Parto, em duas sessões; às 17:30 e às 19:30.

O encontro do Grupo Boa Hora acontecerá no horário regular (das 19:00 às 22:00), no salão do primeiro andar do Cinema São Luiz. A programação contará com depoimentos de famílias que vivenciaram partos respeitosos no Grande Recife, seguidos de um debate sobre a situação local da assistência à gestação e ao parto. 

 A participação no encontro será, como habitual, gratuita. Porém, para assistir o filme estão sendo cobrados ingressos a preços populares (R$ 4,00 inteira e R$ 2,00 meia) para cobrir os custos do uso do cinema e do aluguel de um projetor Blue Ray.

Não percam essa oportunidade de assistir esse documentário revolucionário na telona! Levem seus amigos e familiares!

Mais informações
boahora@institutonomades.org.br
(81) 9973.8035 (tim) / 8960.4721 (claro) / 9258.8598 (oi)

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Documentário “O Renascimento do Parto” chega ao Recife, seguido de debate



O filme estará em cartaz no Cinemark do Shopping Rio Mar, entre os dias 30 de agosto a 05 de setembro


Com o objetivo de propor uma reflexão sobre o parto normal, cesárea e nascimento humanizado, o documentário “O Renascimento do Parto” será exibido no Recife a partir dessa sexta-feira (30), no Cinemark, do Shopping Rio Mar. O filme, de Eduardo Chauvet e Érica de Paula, questiona o modelo obstétrico atual e denuncia os mitos que sustentam a prática excessiva de cesarianas e outras intervenções durante o parto que não têm sustentação científica. O longa estará em cartaz até o dia 05 de setembro, sempre em sessão única às 19h10.

Nos dias 30 e 31 de agosto, após a exibição do filme, haverá rodas de diálogos sobre a realidade da assistência obstétrica no Recife e com depoimentos de famílias que vivenciaram partos respeitosos. Os debates serão promovidos pelo Insituto Nômades, Ishtar - Espaço para Gestantes e o Grupo de Pesquisa Narrativas do Nascer/UFPE, com apoio do Maternaço e Mãe Nutriz.

Programação dos Debates:

Sexta (30.08) - Roda de conversas com depoimentos de famílias que vivenciaram partos respeitosos no Recife
Sábado (31.08) - Debate: Caminhos possíveis para um parto ativo - a realidade da assistência obstétrica no Recife

Local:  Sweets Café (Shopping Rio Mar), das  20h45 às 22h

Outras informações sobre o filme, acesse: www.orenascimentodoparto.com.br


SERVIÇO: Exibição do documentário “O Renascimento do Parto”
Data: De 30 de agosto a 05 de setembro
Onde: Cinemark (Shopping Rio Mar)
Hora: Sessões únicas as 19h10

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Parteiras tradicionais: um retorno à valorização do parto natural

Curiosidade, angústia, planejamentos... toda mulher grávida vive um misto de sentimentos na esperança de que seu bebê esteja e seja saudável, que seja uma pessoa boa, um ser humano de bom coração, que venha ao mundo de forma tranquila, sem sofrimento. Enquanto algumas mulheres, pensando na segurança do filho, escolhem o parto no hospital, algumas vezes através de cesárea, hoje muitas mães querem um parto mais humanizado e natural e algumas têm optado pelo acompanhamento das parteiras tradicionais. Aproveitando o Encontro Nacional Parteiras Tradicionais: Inclusão e melhoria da qualidade da assistência ao Parto Domiciliar no SUS, a IHU On-Line entrevistou, por telefone, a enfermeira e parteira Paula Viana. “Uma vez, no interior do Amazonas, conversei com uma médica e uma parteira. E a médica perguntou: ‘qual é a diferença do meu atendimento para o seu?’. Desta forma, a parteira respondeu: ‘a diferença é que você tem pressa e eu não’”, relatou.

Paula Viana é enfermeira-obstetra em Recife (PE), faz partos domiciliares e coordena o Grupo Curumim, uma organização não governamental feminista que desenvolve projetos de fortalecimento da cidadania das mulheres em todas as fases de suas vidas.

Confira a entrevista:

Em que sentido a parteira é mais humana do que o médico em relação ao parto? 
Paula Viana – A parteira representa o elo entre a comunidade e o Sistema Único de Saúde (SUS). Elas têm um trabalho de atenção integral à saúde da mulher e da criança, pois acompanham toda a gravidez, conhecem a vida das famílias, chamam-nas pelo nome e representam o mesmo nível social e econômico dos clientes, o que aproxima ainda mais a parteira da mãe. Isso é fundamental para o momento da gravidez, do parto e do pós-parto.

O parto não é só um evento médico, é um evento social e familiar que tem a mulher como protagonista. Então a parteira tem essa capacidade de interagir de forma mais humana, no sentido do pensamento mais holístico. Não que não haja médicos que façam assistência desse tipo. Porém há uma distância maior entre médicos e médicas e as mulheres das comunidades indígenas, ribeirinhas, quilombo, floresta, onde estão as parteiras tradicionais. Elas têm muito o que ensinar para nós. 

http://revistaraiz.uol.com.br


Uma vez, no interior do Amazonas, conversei com uma médica e uma parteira. E a médica perguntou: “qual é a diferença do meu atendimento para o seu?”. Desta forma, a parteira respondeu: “a diferença é que você tem pressa e eu não”. As parteiras não têm pressa mesmo, elas acompanham a mãe e isso torna o parto mais humano.

 Você pode descrever o panorama geral da situação das parteiras tradicionais no mundo?  
Paula Viana – Há um movimento internacional das parteiras, que reúne parteiras de vários países da América do Sul, do Canadá, do México, Europa. Esse movimento busca a valorização dessas trabalhadoras em saúde e também respeito às suas tradições. A tecnologia, quando entrou na sala de parto, veio para ajudar. Nós agradecemos porque existe a possibilidade da cesárea para que possamos salvar vidas. No entanto, essa tecnologia afastou a ideia do parto como um evento antropológico e social. A luta do movimento internacional é para que a parteira seja vista como uma aliada. Ela tem que ensinar ao sistema público de saúde, mas ela também tem que aprender. 

Hoje, quando e como uma mulher se torna parteira? 
Paula Viana – Existem alguns tipos de parteiras: tem a enfermeira-obstetra, que é uma parteira. Eu mesma sou uma enfermeira-obstetra, uma parteira domiciliar. Existe a parteira que faz um curso técnico de três anos que é treinada só para o parto normal e tem formações originais diferentes. Já a parteira tradicional é aquela formada pela experiência. Algumas dizem: “eu aprendi no susto”. Aqui no encontro há 26 parteiras tradicionais e 34 enfermeiras e médicos. Essas 26 trazem relatos muito interessantes quanto a sua formação. Uma disse que começou aos 12 anos de idade. Ela foi chamada numa primeira ocasião, depois é chamada de novo e com isso vão pegando experiência. A teoria é importante, a parte tecnológica da obstetrícia é fundamental, mas o que conta mesmo é o conhecimento empírico. Um dos intuitos desse encontro é dizer o quanto é importante que essas parteiras tradicionais repassem seus conhecimentos às mais novas.
 
O que acontece quando um parto dá errado? A quem a parteira pode recorrer?
 

Paula Viana – Esse encontro é a finalização de um processo que dura dez anos. Ao longo desse período percebemos que as complicações não acontecem porque a parteira está atendendo. Os problemas ocorrem porque não existe um sistema de saúde apoiando. A parteira que faz parte dos cursos e recebe material sobre cuidados tem a capacidade de acompanhar fatos que podem complicar na hora do parto. Se a mulher faz um pré-natal de qualidade e a parteira está próxima e ocorre algum problema, ela consegue diagnosticar precocemente. Quando o município dá apoio, certamente dispõe de sistema de transporte que possa levar em tempo a mulher e o bebê ao hospital. Hoje, a mortalidade materna e neonatal não tem relação com o trabalho da parteira tradicional.  

Qual a sensação quando um parto dá errado? 
Paula Viana – Ela se sente muito impotente. Muitas vezes as parteiras, como falei antes, têm um nível econômico muito parecido com o da mulher que está atendendo. Quantas e quantas parteiras que conheci colocam dinheiro do próprio bolso para pagar uma gasolina, o aluguel de um carro para levar a mulher a um hospital ou mesmo levá-la até a casa da grávida. Mas a parteira tem limites. E esse encontro que estamos fazendo em Brasília serve, justamente, para que o SUS, o Ministério da Saúde, os governo municipais e estaduais incluam o trabalho da parteira tradicional nas suas políticas. 


http://marcoscostaob.blogspot.com.br
Como a parteira se prepara para ajudar a mulher no momento do parto? 
Paula Viana – Há tantas formas. Há uma diversidade enorme de formações no Brasil. Assim, as mulheres se preparam no embate, no dia a dia, a partir do seu conhecimento. Estados como Amazonas, Pernambuco, Paraíba, Acre, Pará têm dado material para as parteiras. Assim, elas têm bolsa para carregar seus materiais, recebem instruções para esterilização do material e acomodação de equipamento. Elas se preparam na vida e aproveitando esses cursos e encontros que estão sendo realizados. 

Como foi o processo para tornar responsabilidade do SUS o nascimento domiciliar assistido por parteira? 
Paula Viana – Desde 1940 existem políticas que visam tornar a parteira parte do sistema. Em 1991, foi escrito um Programa Nacional de Parteiras Tradicionais e iniciou-se nos estados uma série de ações, capacitações, cursos. Já a partir de 2000, que é o processo que estamos finalizando agora, esse trabalho se voltou muito aos municípios, colocando para eles suas responsabilidades. É preciso saber quem, lá na comunidade, gerencia a saúde da população e o responsável é o município. Está presente aqui no encontro uma representante do Conselho Nacional de Secretários Municipais.

Esse processo é lento. As parteiras reivindicam uma remuneração pelo trabalho e até hoje pouquíssimos municípios tornaram isso realidade. Poucos também forneceram material e as vincularam ao sistema de saúde. Isso tudo faz parte da nossa luta. Nós sabemos que aos poucos vamos superando as barreiras, um dos maiores é o corporativismo médico. As parteiras não querem substituir ninguém, mas elas existem e precisam do apoio do SUS que tem que dar conta tanto de UTIs neonatal de alta tecnologia quanto àquele parto feito na beira do rio feito com luz de candeeiro. Esse é um direito básico nosso como cidadãs brasileiras.

Por que está ficando mais forte hoje o retorno às parteiras? 
Paula Viana – Esse movimento também se deve às parteiras. Elas sempre existiram. Porém, estão ganhando mais repercussão porque algumas organizações do movimento feminista têm dado mais atenção à questão atualmente uma vez que as parteiras representam um retorno ao parto normal e a valorização do parto natural. 

Fonte: amaivos.uol.com.br

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Quem estará com você no seu parto? IV Roda de Diálogos do Narrativas do Nascer


A IV Roda de Diálogos do Projeto de Extensão Narrativas do Nascer acontecerá neste sábado, dia 19 de novembro, na Livraria Cultura, com o tema Quem vai estar com você no seu parto?. A Roda reúne profissionais falando das suas práticas de atendimento e mulheres relatando suas vivências de partos / cesáreas, numa rica troca de experiências e abordagens sobre o parto. Para o evento deste mês, foram convidadas mulheres com experiências variadas de parto, uma doula e um pai que participou do nascimento dos seus filhos. Pretendemos, a partir das diferentes perspectivas trazidas, examinar a influência dos acompanhantes leigos (sem formação específica na assistência ao parto) na vivência do parto e nascimento.

O projeto, coordenado pela professora Elaine Müller, do Departamento de Antropologia e Museologia da UFPE, em parceria com o Instituto Nômades, tem o apoio da Livraria Cultura, e integra a programação do Gerando Cultura, um espaço para a discussão de temas relacionados à gravidez, parto, maternidade, paternidade e puericultura, todos os sábados, na Livraria.

Quem vai estar com você no seu parto? - IV Roda de Diálogos do Narrativas do Nascer
Realização: Narrativas do Nascer/DAM/UFPE e Instituto Nômades
Apoio: Livraria Cultura
Local: Livraria Cultura Paço Alfândega – Recife
Data: 19 de novembro | 12h30min

Mais informações:
narrativasdonascer@gmail.com | (81) 9728.5308 / 9973.8035

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A Cesárea Necessária | III Roda de Diálogos do Narrativas do Nascer

A III Roda de Diálogos do Projeto de Extensão Narrativas do Nascer acontecerá neste sábado, dia 15 de outubro, na Livraria Cultura, com o tema "A Cesárea Necessária". A Roda reúne profissionais falando das suas práticas de atendimento e mulheres relatando suas vivências de partos / cesáreas, numa rica troca de experiências e abordagens sobre o parto. Para o evento deste mês, foram convidadas mulheres com experiências variadas de cesarianas e parto normal, uma parteira, uma doula e uma obstetra. Pretendemos, a partir das diferentes perspectivas trazidas, examinar a questão de quando a cesárea torna-se clinicamente necessária.

A Cesárea Necessária - III Roda de Diálogos do Narrativas do Nascer
Realização: Narrativas do Nascer/DAM/UFPE e Instituto Nômades
Apoio: Proext/UFPE e Livraria Cultura
Local: Livraria Cultura Paço Alfândega – Recife
Data: 15 de outubro 12h30min



Mais informações:http://narrativasdonascer.blogspot.com/
narrativasdonascer@gmail.com (81) 9728.5308 / 9973.8035

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Qual seu tipo de parto? II Roda de Diálogos Narrativas do Nascer

No próximo dia 17 de setembro acontecerá a II Roda de Diálogos do Projeto de Extensão Narrativas do Nascer, com o tema Qual seu tipo de parto? A Roda reúne profissionais falando das suas práticas de atendimento e mulheres relatando seus partos, numa rica troca de experiências e abordagens sobre o parto normal. Para o evento deste mês, foram convidadas mulheres com experiências variadas de parto, uma parteira, uma doula e uma obstetra.

A ideia do Projeto Narrativas do Nascer é abordar parto e nascimento como eventos culturais, que envolvem crenças, rituais e discursos variados. Nas rodas de diálogo, teremos a oportunidade de conhecer a pluralidade de procedimentos no atendimento à mulher e ao recém-nascido, a forma como estas práticas são recebidas e o seu impacto nas experiências das mulheres e suas famílias.

O projeto, coordenado pela professora Elaine Müller, do Departamento de Antropologia e Museologia da UFPE, em parceria com o Instituto Nômades, tem o apoio da Livraria Cultura, e integra a programação do Gerando Cultura, um espaço para a discussão de temas relacionados à gravidez, parto, maternidade, paternidade e puericultura, todos os sábados, na Livraria.

Qual seu tipo de parto? II Roda de Diálogos do Narrativas do Nascer
Realização: Narrativas do Nascer/DAM/UFPE e Instituto Nômades
Apoio: Livraria Cultura
Local: Livraria Cultura Paço Alfândega – Recife
Data: 17 de setembro 12h30min




Mais informações:
http://narrativasdonascer.blogspot.com/
narrativasdonascer@gmail.com (81) 9728.5308 / 9973.8035



Algumas fotos da II Roda de Diálogos do Narrativas do Nascer: https://picasaweb.google.com/114858217105468698870/IIRodadaDoNarrativasDoNascerLivrariaCultura#

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Violência na Atenção ao Parto

24/02/2011 - 07h49
Uma em quatro mulheres relata maus-tratos durante o parto
DE SÃO PAULO

Chorando em um hospital, agulhada pelas dores das contrações do parto, mulheres brasileiras ainda têm de ouvir maus-tratos verbais como: "Na hora de fazer não chorou, não chamou a mamãe. Por que tá chorando agora?". A informação é da reportagem de Laura Capriglione publicada na edição desta quinta-feira da Folha (
íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

De acordo com o texto, uma em cada quatro mulheres que deram à luz em hospitais públicos ou privados relatou algum tipo de agressão no parto, perpretada por profissionais de saúde que deveriam acolhê-la e zelar por seu bem-estar. São agressões que vão da recusa em oferecer algum alívio para a dor e xingamentos até gritos e tratamentos grosseiros com viés discriminatório.

Os dados integram o estudo "Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado", realizado em agosto de 2010 pela Fundação Perseu Abramo e pelo Sesc e divulgado agora. A Folha obteve com exclusividade o capítulo "Violência no Parto", que pela primeira vez quantificou à escala nacional, a partir de entrevistas em 25 unidades da Federação e em 176 municípios, a incidência dos maus-tratos contra parturientes.

Editoria de Arte/Folhapress



Fonte: Folha.com -
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/880316-uma-em-quatro-mulheres-relata-maus-tratos-durante-o-parto.shtml

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Pesquisadores vão investigar motivos que levam a mulher a optar por parto normal ou cesariana

Partos programados pode estar relacionada ao aumento de bebês prematuros no país

Da Agência Brasil.

Parto normal dimunui riscos de infecção e difculdades respiratórias e facilita a amamentação, diz médica.

Uma equipe de pesquisadores da ENSP (Escola Nacional de Saúde Pública), ligada à Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), vai investigar os motivos que levam a mulher a optar pelo parto normal ou pela cesariana e avaliar que consequências a escolha pode trazer para a mãe e o recém-nascido.

Com base em 24 mil entrevistas que serão realizadas em hospitais públicos e privados em todos os estados, os pesquisadores procurarão saber quais fatores influenciam a escolha pelo parto normal ou pela cesariana.

O projeto está sendo conduzido em parceria com o IFF/Fiocruz (Instituto Fernandes Figueira), universidades estaduais e federais e a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Os resultados devem ser apresentados até o fim deste ano.

De acordo com a vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz, Maria do Carmo Leal, que coordena o estudo, a alta incidência de cesarianas no país, principalmente em hospitais da rede privada, pode estar relacionada ao aumento do número de casos de bebês prematuros.

Segundo Maria do Carmo, quase metade (47%) dos 3 milhões de partos que ocorrem anualmente no país são feitos por cesariana. Nos hospitais públicos, as cesarianas representam 30% dos nascimentos e, nas unidades particulares, 80% do total. A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que o percentual fique entre 15% e 20%.

A médica citou estudos que apontam relação entre o crescimento do número de cesarianas, cerca de 44% nos últimos 33 anos, e o aumento da prematuridade, que com alta de 130% em 22 anos.

- Queremos entender por que isso vem ocorrendo e se esses fatos estão relacionados à forma de assistência ao parto. Afinal, a medicina é cada vez mais intervencionista em todas as áreas e também no nascimento.

Ela ressalta que a cesariana é importante quando há risco de complicações para a mãe ou necessidade de salvar a vida do bebê, mas diz que, na maioria dos casos, não é esse o motivo da intervenção médica.

Segundo a médica, embora haja padrões que indiquem que o bebê está pronto para nascer, nenhum exame é capaz de determinar seu total amadurecimento.

- Só é possível saber isso quando a criança 'avisa'. Afinal, o processo de amadurecimento varia, e umas precisam de mais tempo do que outras. Por isso, para um bebê que iria nascer com 40 ou 41 semanas, nascer com 38 semanas é prematuridade.

Tecnicamente, porém, os bebês não são considerados prematuros a partir da 37ª semana de gestação. Segundo Maria do Carmo, o indicador mais frequente de um nascimento antecipado é a imaturidade respiratória. Para a mãe, entre os problemas que podem ocorrer em função do parto cesariano, estão maiores possibilidades de infecção devido à cirurgia e mais dificuldade para amamentar o bebê.

Foram esses riscos que levaram a publicitária carioca Aline Barbosa a optar, logo no início da gestação, pelo parto normal. Ela disse à obstetra que fazia questão do parto normal e começou a fazer sessões de ioga para gestantes no terceiro mês de gravidez, para preparar o corpo para o nascimento do bebê.

- Tinha muito medo das possíveis complicações de uma cirurgia. Além disso, a recuperação no pós-parto é mais difícil em caso de cesariana.

Segundo a publicitária, muitos médicos encontram nos exames feitos durante a gravidez diversos motivos para indicar a cesariana. Seu caso, porém, foi diferente. Aline deu à luz, em parto normal, Maria Clara. A menina nasceu com 48 centímetros e pesando 3,6 quilos.

- Não tive problemas. Minha médica me orientou e fez de tudo para viabilizar o parto normal. Muitas mulheres têm medo do parto normal porque não sabem o que está acontecendo com o corpo. Por isso, buscar informação faz diferença. Não ameniza a dor, mas garante maior tranquilidade.

Fonte: http://noticias.r7.com/saude/noticias/pesquisadores-vao-investigar-motivos-que-levam-a-mulher-a-optar-por-parto-normal-ou-cesariana-20110220.html

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

MP quer controle de cesarianas pagas em planos de saúde

Porcentual de cesarianas na rede privada é de 80% dos casos, mais de cinco vezes o recomendado pena OMS

Carolina Pimentel, da AGÊNCIA BRASIL

Brasília - O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo entrou com ação judicial para que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) regulamente as cesarianas custeadas por planos de saúde privados.

Na proposta do MPF, a pedido do cliente, as operadoras devem fornecer os percentuais de cesarianas e partos normais feitos pelos médicos e hospitais pagos pelo plano no ano anterior.

Outra proposta é que a ANS determine remuneração maior a ser paga pelo plano ao médico que optar pelo parto normal em comparação à cesárea. Com a ação, o MPF quer reduzir o número de cesarianas realizadas em clínicas e hospitais particulares, que supera o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Dados do Ministério da Saúde de 2008 mostram que 43% dos partos feitos no país são cesáreas. Na rede pública de saúde, o percentual cai para 34%, conforme levantamento do Sistema Único de Saúde (SUS), feito no ano passado. Em contrapartida, as cesarianas representam 80% dos partos feitos em instituições privadas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que as cesáreas não ultrapassem 15% da totalidade de partos.

Segundo o MPF, a alta taxa ocorre por que a maioria dos médicos pagos pelos planos não fazem partos normais – que é um procedimento mais demorado e os profissionais recebem o mesmo valor por uma cesariana. "O acompanhamento de um parto normal é consideravelmente mais demorado do que a realização de uma cesárea. Resta evidente, portanto, a desvantagem financeira do profissional, que se disponha a atender partos normais, recebendo por uma média de oito horas de trabalho o mesmo que um colega que só faça cesáreas agendadas, que duram cerca de uma hora", diz o MPF na ação.

Fonte:
http://exame.abril.com.br/economia/brasil/noticias/ministerio-publico-pede-ans-controle-cesarianas-pagas-planos-saude-privados-590691

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Estudo do MS revela queda no total de nascimentos e aumento das cesarianas no Brasil

14/12/2010 , às 12h00

Cai total de partos, especialmente entre as mais jovens

Estudo aponta queda de 10% no total de nascimentos no Brasil. A maior redução (93% do total) está concentrada nos grupos etários de 15 a 19 e de 20 a 24 anos

De 2000 a 2008 o total de nascimentos no Brasil apresentou uma queda de aproximadamente 10%. Essa foi uma redução verificada em quase todas as regiões brasileiras (a Norte é a única exceção) e registrada, principalmente, entre as mães mais jovens. É o que revela o capítulo Como nascem os brasileiros da publicação Saúde Brasil 2009, lançada anualmente pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde. Este ano, o Saúde Brasil apresenta os temas relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

O total de nascimentos do Brasil passou de 3,2 milhões em 2000 para 2,9 milhões em 2008 (ver tabelas 1 e 2). Queda verificada no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste brasileiros. No Norte, houve aumento de 8,2% no número de nascimentos. Mas esse crescimento pode ser atribuído à melhoria da cobertura do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) – ampliada de 88% para 92% no país como o todo – e não necessariamente a um aumento real da intensidade da natalidade no Norte.

Os partos das mães mais jovens foram os que apresentaram maior redução: os grupos etários de 15 a 19 anos e de 20 a 24 concentraram 93% desta queda. No entanto, a fecundidade do país como um todo ainda é muito precoce: do total de partos registrados em 2007, 20% foram de mães com idades entre 15 e 19 anos e 29%, na faixa dos 20 aos 24. As regiões Norte e Nordeste são as que têm o maior número de partos nas faixas etárias mais jovens.

“Mas esta é uma realidade que começa a mudar. A partir de 2003, aumentou a idade média das mães no momento do parto, revertendo a tendência de aumento da fecundidade nas mulheres muito jovens observada nas décadas anteriores”, afirma o diretor do Departamento de Análise de Situação de Saúde, Otaliba Libânio Neto.

O estudo verificou um crescimento no total de partos de mães com idades entre 25 a 34 anos a partir de 2003. No ano seguinte, esse aumento migrou para as faixas etárias mais avançadas. Com isso, a idade média das mães brasileiras aumentou de 25,1 anos em 2000 para 25,7 em 2007. O fenômeno ocorre especialmente no Sul e Sudeste: onde as proporções de nascimentos de mães com idades entre 30 e 39 anos são superiores as das demais regiões do país. As taxas de fecundidade (total de filhos por mulher) também expressam as diferenças regionais (ver tabelas 3 a 5).

MAIS PRÉ-NATAL – O número de consultas de pré-natal é um dos indicadores de como anda o acesso aos serviços de atenção à saúde de mães e filhos. Seu acompanhamento é fundamental para garantir uma gravidez saudável e de baixo risco. Entre 2000 e 2007, houve um aumento da proporção de mães com sete ou mais consultas de pré-natal. “Subiu de 43,7% para 55,8%, o que indica melhoria na atenção à saúde materno-infantil no país”, revela Otaliba Neto.

No Sul e Sudeste, essa taxa passou de 52% (em 2000) para 69% e 72%, respectivamente, em 2007. No Centro-Oeste, de 51% para 62%. No Norte, foi detectada a menor variação, com aumento de 31% para 40% (ver tabela 6). “O estudo apontou que, além das diferenças regionais, o acesso à atenção à saúde materno-infantil está relacionado à escolaridade das mães, entendida como uma variável que mede também o nível sócio-econômico das mulheres. Quanto maior a escolaridade, maior a proporção de mulheres que tiveram mais consultas”, completa Otaliba.

Enquanto 79% das mães com 12 anos ou mais de estudo fazem sete ou mais consultas; o percentual cai para 37% das mulheres com 1 a 3 anos de estudo e 27% sem nenhum estudo. Uma em cada três mães (cerca de 30%) sem nenhum estudo fizeram, no máximo, três consultas em 2007 (ver tabela 7).

O estudo relaciona ainda a atenção pré-natal à cor da pele do bebê e a região de residência da mãe. Mulheres que tiveram filhos de cor branca (71%) fizeram sete ou mais consultas. O percentual cai para 50% dos recém-nascidos de cor preta e amarela e 42% em recém-nascidos pardos. A menor proporção está entre os bebês indígenas, com apenas 16% das mães com sete consultas ou mais (ver tabela 8).

CESARIANAS – A escolaridade das mães também tem relação direta com o número de cesarianas realizadas no Brasil, que passaram de 38% a 47% de 2000 para 2007. Enquanto o menor número está entre mães com baixo nível de escolaridade e nas regiões Norte (15%) e Nordeste (17%), as maiores proporções são entre mães com 12 anos ou mais de estudo das regiões Sudeste (76%), Sul (75%) e Centro-Oeste (77%). “Esses dados nos fazem concluir que é preciso fortalecer a campanha pela redução de cesárias desnecessária. O número de partos cesáreos aumentou em todas as regiões entre 2000 e 2007”, observa Otaliba Neto.

BAIXO PESO AO NASCER – O baixo peso ao nascer (menos de 2,500 gramas) é o fator de risco mais importante para a mortalidade infantil, principalmente para o componente neonatal precoce. O Saúde Brasil faz uma relação entre esse índice e o tipo de parto.
O Sul e o Sudeste têm alto índice de partos cesáreos e de bebês com baixo peso. Menores percentuais de bebês com baixo peso estão localizados em regiões com menor incidência de partos cesáreos – Norte e Nordeste (ver tabelas 9 e 10). Estes resultados levantam a hipótese de que o elevado número de cesáreas pode estar contribuindo para o aumento do baixo peso nas regiões Sul e Sudeste, conforme já apontam outros estudos publicados no Brasil.

Outras informações
Atendimento à Imprensa
(61) 3315 3580 e 3315 2351

Fonte:
http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&id_area=124&CO_NOTICIA=11993